sexta-feira, 22 de março de 2013

Prazeres do tempo e do vento

 
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Aspecto literário da matemática


segunda-feira, 18 de março de 2013

Prece à nós...

Cada gota d´água
cada lágrima minha, a ti será dada,
para curar sua feridas,
para se preciso, salvar a sua vida...

Para todo seu pranto
serei acalanto
Limparei sua lágrimas,
para seguires sua jornada...
 
Cada raio de sol ou luar
cada sorriso a ti há de iluminar
para guiar seus passos,
para levar-te os abraços...
 
A cada passo seu a ser dado,
mesmo que me sinta cansado,
estarei sempre ao seu lado,
pelos caminhos guiados...
 
Cada prece minha,
a cada passada sua, apenas Caminha!
não faça esforço, apenas tente!
Não te preocupes, esvazie sua mente...
 
A cada linha escrita
Espero que me permita,
junto trilhar o caminho
que antes trilhava sozinho...
 
Segura minha mão,
dividirei contigo não somente o pão,
no escuro poderei guiar seus passos,
creia, meu coração pode sangrar mas meus nervos são de aço...
 
Sabendo que o amanhã é apenas
o rastro das tantas linhas
que josgastes para cima do muro,
acredite, assim se constrói o futuro...
 
 Sou do céu o raio,
Do som és o trovão,
Serei o vento do seu caminho,
da pedra tu és o meu chão.
 
Do céu meu raio tu és,
sou trovão que guia seus pés,
És vento que me leva ao caminho
Serei seu chão e jamais caminharei sozinho








 

 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Não há nada se não TUDO... há...

                                                    "Não há sensibilidade sem dor,
                                                não há prazer sem sensibilidade."



     Para se ter algum prazer, precisa-se da existência da dor,
     em algum momento, seja antes ou depois...

     A exitência e a condição de algo, depende sempre da condição de outro existir.

     O branco não o seria branco  se não à existência do preto.
     O bem não o seria bem se não à existência do mal.

     Nesse mágico momento,
     onde tudo é criado,
     o momento exato,
     entre a faca e o queijo,



enquanto um é espectador do desejo.
o outro cria-se simplesmente desejado.

Pele Tranlúcida

 
A pele, que não repele...
Que encosta, se achega e não coça...
Translúcida reflete o que de dentro não se nota.
Mas opaco, amargo de suor se ferve, transfere.
Segurança, odor... amor.

Desejos e apegos que não se colam,
A pele é segredo, é cheiro ... é sossego.
Loucuras imensas de corpos entrelaçados em um só chamego...
O fel, o mel já não se identificam dentre todos os beijos.

Calmaria dentre tufões e rebeliões.
É o sinal de que não se perdem as sensações,
É o jorrar do líquido abundante que do coração,
Se torna a materialização do tesão... do querer.. do SER.

Inicia-se a prosa novamente e derrepente,
Tudo o que é quente te torna paciente...
E a pele quando enrosca, não há cristo que separe,
Pois depois da pele, não existe mais nada que essa sensação iguale.
 
 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Vida - Grande Sertão...

 
Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender a viver é que é o viver mesmo.
 
 
 

 
 
 
A vida é muito discordada. Tem partes. Tem artes. Tem as neblinas de Siruiz. Tem as caras todas do Cão e as vertentes do viver.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Senhor, Deus Diabo, Dono de mim...



Senhor de todas as canções, de todo céu, de todas as vozes...
Senhor dos meus sonhos celestes e atrozes...
Peço a ti em súplica!!!
Me Tome, deixe-me senti-lo...
Me leve e me consome!!!!
Preciso do meu suor misturado ao seu,
sentir o calor da sua pele na minha...
Preciso do seu olhar repousando no horizonte do meu,
por dias e mais muitos dias..
Quero o esgotamento de nossos corpos e a elevação de nossas almas...
Turbulentas e Calmas...
Quero gosto, cheiro e desejo...
Quero muito, mas muito mais que apenas seus beijos...
Quero seu céu e seu inferno...
Quero ser seu momento eterno...
Quero ser parte de Ti...
Até que a vida nos una e os corpos não separem...

O tempo e o vento...

 



Tantos sonhos que o vento levou...
tempo, esperando os beijos,
tempo carregando desejos,
a ampulheta simplesmente parou...

A fonte d´água inesgotável secou...
tempo, esvaindo amor,
tempo, aguardando calor,
e tantos sonhos que o vento levou...

A ampulheta simplesmente parou...
tempo, ouvindo você,
tempo querendo te ver,
A fonte d´água inesgotável secou...

Tantos sonhos que o vento levou...
tempo, respirando ofegante,
tempo suplicando alarmante,
meu tempo esgotou...

Esperando você... TEMPO
ruindo meus muros... TEMPO
subindo castelos... TEMPO
querendo seu gosto... TEMPO
sentindo seu cheio... TEMPO
beijando seu rosto... TEMPO
abrindo caminhos... TEMPO
SONHANDO VOCÊ...

O vento levou...
Meu tempo esgotou...






Canção da Minha Ternura
Rondaste o meu castelo solitário
como um rio de vozes e de gestos;
baixei as minhas pontes fatigadas
e conheci teus lumes, teus agrados
teus olhos de ouro negro que confundem;
andei na tua voz como num rio
de fogo e mel e raros peixes belos,
cheguei na tua ilha e atrás da porta
me deste o banquete dos ardores
teus.

Mas às vezes sou quem volta
a erguer as pontes e cavar o fosso
e agora em sua torre, ternamente,
sem mágoa se debruça nas varandas
vendo-te ao longe , barco nessas águas,
querendo ainda estar se regressares
-porque seria pena naufragarmos
se poderias ter, sem tantas dores,
viagens e chegadas nos amores meus.

quarta-feira, 6 de março de 2013




Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...
 

 

terça-feira, 5 de março de 2013

Suplementar... Amor


A expressão de uma nota,
a sensação de um olhar.
O momento mágico de um encontro
em que a alma se reconhece no outro,
não como espelho, e sim,
como a metade faltante de um quebra cabeça.

A identificação leva-nos
a um mergulho no infinito.
O encanto das vozes transporta-nos
a tantos outros mundos desconhecidos.
Fica a necessidade profunda e intima de misturar-se.

O segredo do amor, que não somente complementa,
que vai além, que suplementa,
está em algo especial que transcende, viaja,
a tempos atrás que a memória não alcança e,
a tempos futuros onde repousa a esperança.