Quero ser alma inteira!
Cansei de ser metade solitária
vagando em direção ao vazio
encontrado no coração das pessoas.
Me fiz forte na luta incansável
de amar a mim mesma
vestindo armaduras e forjando espadas
com minhas próprias mãos já tão cansadas
no interior de meu castelinho de areia.
De grande comandante do exército da solidão
estrategista dos planos mais elaborados de ataque e defesa;
nesse momento,
dispo,
rasgo,
mostro,
atirando a mim, peito aberto,
na talvez, mais doce aventura de toda existência.
Exposição da menina morta viva que
renasce diante dos olhos do soldado.
Inimigo desconhecido e precocemente amado.
Enigmático...
Entreguei a menina,
segurei o coração no laço,
evitando disparada em direção do abismo
bem como batida covarde em retirada.
Estagnação!
Ora, Ora, Ora...
que difícil e contraditória empreitada!
Eu que sempre lutei para ser livre,
hoje desejo simplesmente ser amada.
E o silêncio, acompanhado de um punhado de ausências necessárias,
me dissolve como açucar no café amargo.
E meu discurso convincente, se desfaz magicamente,
como algodão doce na boca da criança dentro do parque de diversões.
Doce amargura.
Como a vida é curta,
e nós revestidos de animalesca bestialidade.
Como elefantes temendo a presença de formigas,
ao menor sinal de risco,
fugimos como diabo da cruz.
Amém!
Tudo que é sagrado deveria ser guardado!
A sete chaves,
em caixote inviolável e transparente!
Verdade.
Da boca, jamais ouvirão: "quero descançar no seu abraço!"
que quero experimentar por inteiro, pernas, peito e braço.
que será para vida toda, enquanto dure,
o todo que te envolve na segurança de meus laços.
Sagrados. Covardes.
Quero colocar no interior de minha caixa,
forte, transparente, cheia de diversões, como refúgio de justos e sacros.
Soldado, Menina...
Quando forte, formiga sou,
em grande parte do tempo...
Consumo a todo meu prório açucar dissolvendo-me
seja no líquido escuro de um café requentado,
seja no amargor da saliva de uma criança cruel.
Carrego e posso dez vezes o meu peso!
Caminho quilômetros em busca do meu lar doce,
que um dia, certamente encontrarei.
Sem vazio, sem metade, inteiro!
Amém.
Oxalá permita nesse dia,
em silêncio,
descançar, menina e formiga,
nos braços de corajoso elefante,
após o deguste do mais doce café!

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