segunda-feira, 30 de maio de 2011

Formiguinha...

Quero ser alma inteira!
Cansei de ser metade solitária
vagando em direção ao vazio
encontrado no coração das pessoas.

Me fiz forte na luta incansável
de amar a mim mesma
vestindo armaduras e forjando espadas
com minhas próprias mãos já tão cansadas
no interior de meu castelinho de areia.

De grande comandante do exército da solidão
estrategista dos planos mais elaborados de ataque e defesa;
nesse momento,
dispo,
rasgo,
mostro,
atirando a mim, peito aberto,
na talvez, mais doce aventura de toda existência.

Exposição da menina morta viva que
renasce diante dos olhos do soldado.
Inimigo desconhecido e precocemente amado.
Enigmático...

Entreguei a menina,
segurei o coração no laço,
evitando disparada em direção do abismo
bem como batida covarde em retirada.
Estagnação!

Ora, Ora, Ora...
que difícil e contraditória empreitada!
Eu que sempre lutei para ser livre,
hoje desejo simplesmente ser amada.

E o silêncio, acompanhado de um punhado de ausências necessárias,
me dissolve como açucar no café amargo.

E meu discurso convincente, se desfaz magicamente,
como algodão doce na boca da criança dentro do parque de diversões.
Doce amargura.

Como a vida é curta,
e nós revestidos de animalesca bestialidade.
Como elefantes temendo a presença de formigas,
ao menor sinal de risco,
fugimos como diabo da cruz.
Amém!

Tudo que é sagrado deveria ser guardado!
A sete chaves,
em caixote inviolável e transparente!
Verdade.

Da boca, jamais ouvirão: "quero descançar no seu abraço!"
que quero experimentar por inteiro, pernas, peito e braço.
que será para vida toda, enquanto dure,
o todo que te envolve na segurança de meus laços.
Sagrados. Covardes.

Quero colocar no interior de minha caixa,
forte, transparente, cheia de diversões, como refúgio de justos e sacros.
Soldado, Menina...

Quando forte, formiga sou,
em grande parte do tempo...

Consumo a todo meu prório açucar dissolvendo-me
seja no líquido escuro de um café requentado,
seja no amargor da saliva de uma criança cruel.

Carrego e posso dez vezes o meu peso!
Caminho quilômetros em busca do meu lar doce,
que um dia, certamente encontrarei.
Sem vazio, sem metade, inteiro!
Amém.

Oxalá permita nesse dia,
em silêncio,
descançar, menina e formiga,
nos braços de corajoso elefante,
após o deguste do mais doce café!

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